O Compositor: Heitor Villa-Lobos

Um pouco de Villa-Lobos



HEITOR VILLA-LOBOS (Rio de Janeiro, 1883-1959)

Fantasia para Violoncelo e Orquestra

Segundo o violoncelista Antonio Menezes, em entrevista para o jornal O Globo em março deste ano, a Fantasia para Violoncelo e Orquestra “é uma peça esquecida que deveria fazer parte do grande repertório do violoncelo. É talvez a melhor obra que Villa-Lobos fez para este instrumento, simplesmente sensacional”.

O violoncelo era, ao lado do violão, um dos instrumentos preferidos de Villa e foi tocando este instrumento que iniciou, ainda bastante jovem, sua carreira musical. Para este instrumento escreveu obras importantes como a Bachianas n° 1 e 5, as Sonatas para violoncelo e piano e o Concerto para Violoncelo e Orquestra.

Fantasia para Violoncelo e Orquestra foi composta entre 1944 e 1945 por sugestão do paisagista Burle Marx. Dedicada ao célebre maestro russo radicado nos Estados Unidos Serge Koussevitzky (1874-1951), exige uma grande orquestra que inclui harpa, celesta e Novachord, um dos primeiros sintetizadores a serem criados.

Esta foi a primeira experiência do compositor com os novos instrumentos eletrônicos que começavam a surgir naquela época. Esta era também a época em que Villa-Lobos fez sua primeira viagem como maestro aos Estados Unidos.

A peça estreou sob a regência do compositor frente à Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1946. O solista foi um dos mais importantes representantes deste instrumento no Brasil, Iberê Gomes Grosso (1905-1983), sobrinho-neto de Carlos Gomes, que teve larga atuação como solista e camerista, responsável por diversas estréias de peças brasileiras. Posteriormente Villa-Lobos fez uma redução da parte de orquestra para piano.

O que se destaca no primeiro movimento (Largo-Poco agitato) são partes cantantes do violoncelo, como a sugerir o clima de modinha tão caro ao compositor. Após este trecho há um tema um pouco mais movimentado com retorno do primeiro tema no final. O segundo movimento (Molto vivace) se apresenta como um moto perpétuo, baseado em um ritmo constante de semicolcheias.

O movimento final (Allegro espressivo) é bastante virtuosístico e aparece novamente um canto amplo do violoncelo, acompanhado pela orquestra em staccato. Este trecho tem subdivisões de andamento contrastantes indicadas Allegro non troppo, Andante capriccioso e Andante até que o retorno do Allegro inicial retorna para concluir a peça.

Anos depois, em 1957, Villa-Lobos regeria novamente esta peça, desta vez em Nova York tendo como solista Aldo Parisot (1921), outro famoso violoncelista brasileiro de larga atuação no exterior. A orquestra foi a Filarmônica de Nova York, então conhecida como Stadium Symphony Orchestra devido ao seu contrato com a gravadora CBS.

Lenita W. M. Nogueira

 

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