O Compositor: César Franck
Um pouco de César Franck
CESAR FRANCK (Liège, 1822-Paris, 1890)
Sinfonia em ré menor
Franck estudou música em Liège e em Paris, visando tornar-se um grande pianista. Mas logo se deu conta que sua grande vocação era para o órgão, tornando-se um dos mais destacados organistas da época. Exerceu por muitos anos o cargo de organista da Igreja de Sainte Clotilde em Paris, e mais tarde foi nomeado professor de órgão no Conservatório de Paris.
A partir de meados da década de 1870 há um aumento na sua atividade como compositor, escrevendo um grande número de obras sacras, como o oratório Les beatitudes de 1879, e diversos poemas sinfônicos como Le chausseur maudit (1882) e Psyché (1888). No campo da música de câmera teve obras destacadas como o Quinteto para piano (1879), Prelúdio, Coral e Fuga para piano (1884), a Sonata para Violino (1886) e o Quarteto de Cordas (1889).
Como se pode notar pelas datas acima, a maior parte da atividade de Franck como compositor se deu na última década de sua vida e este é o caso da Sinfonia em Ré menor, a única obra de Franck no gênero, escrita em 1888, dois anos antes de seu falecimento.
Sua produção musical se caracteriza por um emocionalismo tipicamente romântico, contrabalançado por uma preocupação com as formas tradicionais. Além destes elementos, a Sinfonia em Ré menor mistura elementos da forma cíclica típicos da música alemã, com influências principalmente do compositor Franz Liszt (1811-1886).
Este, ao ouvir Six Pièces para órgão que Franck compôs em 1868, declarou que esta peça era digna de “um lugar ao lado das obras primas de Bach”. A obra de Liszt ecoa em vários momentos na Sinfonia em ré menor de Franck, principalmente na no uso de materiais melódicos recorrentes (forma cíclica) ou na forma híbrida, que une uma idéia dramática expressiva com música puramente instrumental, no espírito do poema sinfônico do qual Liszt foi um dos precursores.
A Sinfonia em Ré Menor começa soturna, com instrumentos graves sustentados por acordes nas madeiras, revelando uma sonoridade próxima à do órgão, instrumento com o qual Franck tinha grande familiaridade. No início, Lento, há um motivo principal que se expande em diferentes tonalidades durante o movimento. Este muda seu caráter com a introdução do Allegro non troppo, onde aparecem outros dois temas.
O segundo movimento, Allegretto, começa com acordes em pizzicato para os instrumentos de corda, inclusive a harpa, e se destaca o tema apresentado pelo corne-inglês. Esta seção do andamento é encerrada por clarinete, trompa e a flauta, e os violinos anunciam o segundo tema. Na conclusão o corne-inglês e os vários instrumentos de sopro fazem ouvir reminiscências do primeiro motivo com a conclusão a cargo dos violinos.
O terceiro andamento, Finale: Allegro non troppo, contrasta com os anteriores, ao introduzir um clima mais alegre. O tema principal é apresentado por violoncelos e fagotes e, após o desenvolvimento, um novo tema aparece nos metais e é continuado pelas cordas. Depois disso, outro tema reaparece nos baixos, sendo por sua vez seguido pelo tema do corne-inglês no segundo andamento.
Depois do desenvolvimento do primeiro tema do andamento nos primeiros violinos há uma sugestão do tema do segundo andamento. A orquestra toda reexpõe o tema principal do andamento e segue-se um trecho final construído a partir de materiais já utilizados em trechos anteriores da sinfonia. O tema inicial da peça reaparece, mas agora, ao invés do tom lúgubre, é trabalhado de forma mais leve. O tema principal deste terceiro movimento retoma seu lugar e fecha a sinfonia.
Lenita W. M. Nogueira |