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Linha do Tempo

Campinas e a OSMC - de Maneco Gomes até 1974
 
CAMPINAS E A OSMC
texto de Lenita Nogueira
 
Comparando com outras algumas cidades brasileiras, que contam com quase quinhentos anos de tradição musical, a história da música em Campinas não é muito longa, as primeiras referências são de 1815, quando aqui chegou Manuel José Gomes, o pai de Carlos Gomes. Mas ao contrário de algumas dessas cidades mais antigas, onde restou apenas a tradição, a vida musical de Campinas sempre foi muito vigorosa e manteve, desde aquela época, uma atividade incessante e de alta qualidade.
 
Manuel José Gomes era conhecido como Maneco Músico e veio para a então Vila de São Carlos para ser o mestre-de-capela, isto é, deveria ser o responsável pela música que acompanhava as cerimônias religiosas. Além de preparar e reger a orquestra e o coro para as apresentações na igreja, o mestre-de-capela deveria também ensinar música a meninos (meninas não aprendiam música nessa época), compor peças musicais para as diversas cerimônias religiosas, copiar músicas de outros autores e ainda contratar e pagar os músicos. Nesta atividade Maneco Músico permaneceu por mais de cinqüenta anos, de 1815, quando chegou, até sua morte em 1868.
 
Manteve sempre uma intensa atividade que pode ser comprovada em uma visita ao Museu Carlos Gomes em Campinas, onde estão preservados seus manuscritos musicais. Ali está guardada parte da memória musical brasileira, já que, além de suas composições, Maneco realizou cópias de obras de importantes compositores brasileiros, das quais restaram apenas as suas cópias em todo o país. Precisamos lembrar que durante o século XIX não havia impressão musical no Brasil e os manuscritos eram a única maneira de preservar uma composição e por isso esse material era considerado uma preciosidade.
 
Se imaginarmos que a atividade musical de Maneco perdurou de forma ininterrupta por cinqüenta e três anos, podemos ter uma noção da quantidade de música que ele produziu e do grande número de alunos aos quais transmitiu a “arte da música”, como se dizia naquele tempo. Quando ele faleceu em 1868, ao contrário da época em que aqui chegou, quando não havia vida musical, Campinas já tinha uma vida musical estabelecida, com bandas e orquestras ativas, um grande número de músicos profissionais e amadores, além de professores, tanto formados por ele, como outros que aqui chegaram.
 
Todos os filhos homens de Maneco foram músicos, mas o que mais se destacou foi Carlos Gomes (1836-1896), que viveu grande parte de sua vida na Itália. Mas outro filho de Maneco aqui permaneceu e continuou o trabalho do pai, de quem foi sucessor artístico. José Pedro de Sant’Anna Gomes (1834-1908), além da atividade de professor e violinista, foi regente da Orquestra do antigo Teatro São Carlos, a primeira orquestra estabelecida de que se tem notícia em Campinas.
 
Essa orquestra teve grande prestígio em seu tempo e quando aqui aportavam grandes companhias de ópera estrangeiras, traziam solistas, cenógrafos, maquinistas, figurinistas, e tudo o que fosse necessário para a montagem de uma opera, exceto a orquestra, já que o Teatro São Carlos tinha uma boa orquestra que poderia responder pela parte musical sem o menor problema. Sant’Anna Gomes faleceu em 1908, o Teatro São Carlos foi demolido em 1922 para dar lugar ao Teatro Carlos Gomes (que só foi inaugurado em 1930 e demolido em 1965), até que em 1929 um grupo de cidadãos resolveu fundar a uma sociedade que teria por meta reunir os músicos dispersos na cidade e manter acesa chama da música sinfônica na cidade. A meta da Sociedade Sinfônica Campineira era criar e manter uma orquestra de caráter amador.
 
Assim foi criada a Orquestra Sinfônica Campineira, cuja estréia ocorreu no dia no dia 15 de novembro daquele ano no Cine-Teatro São Carlos sob a regência do maestro Salvador Bove. Mais tarde o grupo passou a ter uma estrutura semiprofissional, contando com músicos amadores e outros profissionais que trabalhavam sem vínculo empregatício, e só se juntavam à orquestra em dias de concerto. Essa situação perdurou até 1974 quando foi decidida a criação da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, agora com uma estrutura profissional mantida exclusivamente pela Prefeitura Municipal de Campinas.

 

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